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Aurelio Nunes e Carlos Padeiro Em Salvador
Os pouco mais de 300 torcedores que pretendiam acompanhar o primeiro
treino da seleção brasileira em Pituaçu foram barrados pela Polícia
Militar na entrada principal do estádio, na avenida Pinto Aguiar.
Os
únicos que tiveram acesso liberado, mesmo assim à área externa, foram
os torcedores que vieram retirar os ingressos comprados pela internet.
Como as estrelas não vêm mais, meu pai já me pediu pra vender o
ingresso dele, disse o administrador de empresas Eimar Filho.
Ainda
bem que não vim para ver o Kaká, ironizou a irmã de Eimar, a
administradora de empresas Juliana Sena Gomes, 32, exibindo os bilhetes
adquiridos ao preço de R$ 100 cada. Passamos seis hora na fila do
posto de venda de um shopping perto de casa e desistimos. Sorte que
ainda havia ingresso na internet.
Para o estudante Rudá Nery de
Souza, 23, as suspensões de Kaká, Luís Fabiano e Lúcio e a contusão de
Robinho foram uma verdadeira catástrofe para o torcedor baiano. Cada
cartão amarelo que saia na Argentina era um desespero. Se fosse pra
valer eles não iam tomar esses cartões todos, afirmou o torcedor do
São Paulo e do Bahia, devidamente trajado com a camisa do Tricolor
paulista.
Para Souza, o fato de o Brasil se classificar com
antecedência para a Copa deu uma esfriada no jogo. Não era essa a
impressão que tinha quem caminhava em direção à entrada principal do
estádio, onde a multidão se aglomerava na esperança de ver liberada a
entrada para o estádio. Libera, libera, gritavam em coro.
Para
conter os ânimos dos mais exaltados, os policiais informavam que o
acesso ao treino desta terça-feira à tarde será liberado aos
torcedores. Tem que liberar hoje que é feriado. Amanhã eu tenho que
ralar o dia todo pra alimentar os barrigudos lá de casa, reclamava
Joselito Laranjeira de Jesus, torcedor do Vitória, Palmeiras e Flamengo.
O
comerciante Cícero Antônio da Silva, 46, não se conformava com a
proibição. Vim de Serra Talhada, em Pernambuco, especialmente pra ver
esse jogo. Não consegui achar ingresso, e agora nem treino eu posso
ver, declarou o torcedor do Serrano, que promete voltar na
quarta-feira para comprar ingresso de cambista.
Outro
pernambucano que viajou 12 horas de ônibus desde Recife até Salvador
por causa da seleção e estava igualmente frustrado era o vendedor
ambulante Hugo Germano, 48. Até agora só consegui vender três camisas
da seleção, lamentou. Faz 10 anos que a seleção não joga na Bahia,
achei que valeria à pena o investimento, mas aqui nem a Polícia deixa a
gente trabalhar direito, disse Germano, que teve de retirar o varal
armado do outro lado da avenida Pinto de Aguiar e ficar com a
mercadoria pendurada no braço.
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